Como aprender tarô

Para aprender tarô você não precisa decorar 78 significados. Precisa aprender a olhar para algumas imagens e perceber o que elas contam sobre a sua vida. Este guia para iniciantes mostra, passo a passo, como é o baralho, como ler tarô nas suas primeiras tiragens e como praticar todo dia sem se sobrecarregar.

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O que o tarô é e o que não é

O tarô é um baralho de 78 cartas cheias de símbolos. Cada carta traz uma cena que você reconhece na hora: alguém pegando a estrada, uma torre desabando, uma mulher que segura um leão sem esforço. São coisas que todo mundo vive mais cedo ou mais tarde. Dúvidas, perdas, paixões, mudanças de emprego, vontade de começar do zero.

Por isso ele funciona tão bem como ferramenta de reflexão. Quando você tira uma carta e a relaciona com a sua pergunta, a imagem te obriga a olhar o que está acontecendo por outro ângulo. Às vezes ela confirma algo que você já intuía. Outras vezes aponta justamente o que você vinha evitando.

O que o tarô não faz é dar sentença. As cartas não decidem por você nem marcam um destino fixo. Elas mostram tendências, como as coisas estão agora e para onde podem ir, e o que acontece depois depende do que você fizer. Se uma tiragem te assustar, encare como algo para pensar, nunca como uma condenação.

Ele também não substitui uma consulta médica, um advogado nem uma terapia. Use o tarô para se escutar e organizar as ideias, e procure ajuda profissional quando o assunto pedir.

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Como é um baralho de tarô

Um baralho de tarô completo tem 78 cartas, divididas em dois grupos. Vale entender isso logo de cara, porque te dá um mapa. Antes de saber o que uma carta específica significa, você já sabe de que tipo de assunto ela trata.

Os arcanos maiores são 22 cartas numeradas de 0 a XXI, de O Louco a O Mundo. Eles falam dos grandes temas da vida, como amor, poder, uma crise, esperança ou o fim de uma fase. Quando aparecem muitos arcanos maiores numa tiragem, a situação tem peso e costuma marcar um antes e um depois.

Os arcanos menores são 56 cartas divididas em quatro naipes de 14. Eles tratam do dia a dia: uma discussão, uma conta para pagar, um encontro, um projeto saindo do papel. Cada naipe tem dez cartas numeradas, do Ás ao Dez, e quatro cartas da corte: Valete, Cavaleiro, Rainha e Rei.

Cada naipe está ligado a um elemento, e saber disso ajuda muito na leitura:

  • Paus, fogo. Ação, projetos e vontade de fazer acontecer.
  • Copas, água. Emoções, amor, vínculos e intuição.
  • Espadas, ar. A mente, as decisões, as palavras e os conflitos.
  • Ouros, terra. Dinheiro, trabalho, corpo e tudo o que é material.
  • Os números seguem um ritmo. O Ás é a semente, o Cinco costuma trazer tensão e o Dez fecha o ciclo.
  • As cartas da corte podem ser pessoas do seu convívio ou atitudes suas. O Valete aprende, o Cavaleiro se movimenta, a Rainha cuida a partir de dentro e o Rei comanda de fora.

Ver as 78 cartas do tarôO Louco, a primeira cartaÁs de Copas

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Como escolher e cuidar do seu primeiro baralho

Para o seu primeiro baralho, a nossa recomendação é um baseado no Rider-Waite, ilustrado por Pamela Colman Smith no começo do século XX. Ele é a referência de quase todos os livros e sites, inclusive este, e tem uma vantagem enorme para quem está começando. Os arcanos menores trazem cenas completas, e não só símbolos repetidos, então dá para ler o Cinco de Copas olhando para a figura que chora diante das taças derrubadas, sem decorar nada.

Tem gente que diz que o primeiro baralho precisa ser presente de alguém. É uma ideia bonita, mas não é regra nenhuma. Se tiver vontade, compre o seu. O que conta é gostar das imagens e ter vontade de olhar para elas, porque você vai passar muitas horas na companhia delas.

Para cuidar dele, você não precisa de rituais complicados. Guarde numa caixa ou num saquinho de pano, longe da umidade, e manuseie as cartas com frequência para ir criando intimidade. Se ajudar a se concentrar, faça algum pequeno gesto antes de ler, como respirar fundo, acender uma vela ou embaralhar por alguns segundos em silêncio. Faça porque te faz bem. A leitura vale do mesmo jeito sem isso.

  • Escolha imagens que digam algo assim que você bate o olho.
  • Confira se vem com as 78 cartas e se os arcanos menores têm cenas.
  • No começo, use sempre o mesmo baralho, para ir pegando o jeito.
  • Embaralhe do jeito que for mais confortável: misturando por cima, em leque ou espalhando as cartas na mesa.

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Aprender as cartas sem decorar

O erro mais comum de quem está começando é querer decorar 78 significados, como se fosse para uma prova. Eles somem da cabeça rapidinho e ainda deixam a leitura engessada. É mais fácil, e mais gostoso, olhar a imagem antes de ler qualquer coisa sobre ela.

Pegue uma carta e se pergunte o que você vê. Quem aparece, o que está fazendo, em que posição está, que cores predominam, se é dia ou noite, o que tem ao fundo. No Eremita você vê alguém sozinho no alto de uma montanha, com uma lanterna que ilumina só o próximo passo. Não precisa de livro para perceber que a carta fala de se recolher, de buscar respostas dentro de si e de avançar devagar.

Depois, e só depois, leia o significado tradicional e compare com o que você tinha visto. Muitas vezes bate. Quando não bate, você grava muito melhor, porque ligou o significado a uma imagem e a uma sensação.

O que mais ajuda é manter um diário de tarô. Toda manhã, tire uma carta do dia e anote o que você vê na imagem e o que acha que ela diz sobre aquele dia. À noite, acrescente o que aconteceu de fato. Em poucas semanas você vai ter uma memória própria de muitas cartas, e isso vale mais do que qualquer lista.

  • Descreva a cena em voz alta ou por escrito.
  • Anote três palavras que ela sugere.
  • Leia o significado tradicional e registre onde ele difere do que você viu.
  • Volte à noite e escreva como a carta apareceu no seu dia.

Tire sua carta do diaO EremitaCinco de Copas

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Como fazer perguntas ao tarô

Uma boa leitura começa com uma boa pergunta. Se você pergunta algo confuso, a resposta sai tão confusa quanto. Antes de embaralhar, pense um pouco no que você quer saber de verdade.

As melhores perguntas são abertas e colocam você no centro. Em vez de "Vai me ligar?", tente "O que eu preciso saber sobre essa relação?" ou "O que posso fazer para me sentir melhor com isso?". Com a primeira, você fica esperando. A segunda te dá algo com que trabalhar.

Não pergunte sobre a vida dos outros como se desse para espiar. O tarô funciona melhor quando fala de você, do que você sente, do que faz e do que pode mudar. Se a pergunta é sobre a outra pessoa, vire o jogo: "Qual é o meu papel nessa história?"

As perguntas de sim ou não têm seu lugar, principalmente para decisões concretas, mas use com bom senso. A carta orienta, e quem decide é você. E não repita a mesma pergunta várias vezes até sair o que você quer ouvir. A primeira resposta costuma ser a mais sincera.

  • Defina o tema: amor, trabalho, uma decisão ou como você está.
  • Use "o que", "como" ou "o que posso fazer" em vez de "quando" ou "vai acontecer".
  • Dê um prazo razoável, por exemplo os próximos meses.
  • Escreva a pergunta antes de embaralhar, para não mudar depois.

Tiragem de tarô sim ou não

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Suas primeiras tiragens

Uma tiragem é um jeito de dispor as cartas em que cada posição tem um significado. A mesma carta não se lê do mesmo modo se cair na casa do passado ou na do conselho. Por isso é melhor começar com tiragens simples e ir subindo aos poucos.

Uma carta. Perfeita para começar. Serve como carta do dia ou como resposta rápida a uma pergunta específica. Como é uma só, dá para dar a ela toda a sua atenção: olhar a imagem, pensar na pergunta e escrever o que ela sugere.

Três cartas. A que mais rende. A versão clássica é passado, presente e futuro, mas você pode trocar as posições conforme o que precisa. Situação, obstáculo e conselho. Você, a outra pessoa e a relação. Opção A, opção B e o que você precisa saber para escolher. Com três cartas já começa a aparecer uma história, e é aí que ler tarô fica interessante.

Cruz celta. Dez cartas que olham uma situação por todos os lados. O presente, o que o atravessa, a raiz, o passado, o que está na sua cabeça, o que vem por aí, como você se vê, como as pessoas ao redor te veem, suas esperanças e medos, e o resultado provável. É linda, mas deixe para mais adiante. Quando você dominar as três cartas, a cruz celta vai chegar naturalmente como o próximo passo.

  • Semanas 1 e 2: uma carta por dia.
  • Da semana 3 em diante: três cartas, com posições escolhidas por você.
  • Quando estiver à vontade lendo histórias de três cartas: a cruz celta.

Todas as tiragensPassado, presente e futuroCruz celtaTarô do amor

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As cartas invertidas

Uma carta invertida é a que aparece de cabeça para baixo quando você a vira. Tem quem leia as invertidas e tem quem não leia, e os dois jeitos valem. Se você está começando, pode ignorar as invertidas por um tempo e ler tudo na posição normal. Já são 78 imagens para dar conta.

Quando quiser incluir as invertidas, não pense nelas como "a carta ruim" nem como o oposto exato. Uma invertida costuma indicar que a carta está bloqueada, fraca ou voltada para dentro. A Força invertida tem pouco de violência. Fala mais de duvidar da própria força, ou de se segurar tanto que você acaba esgotada. O Sol invertido continua sendo luz, só que encoberta por nuvens.

Um truque que funciona: quando sair uma invertida, pergunte o que falta para a carta se expressar bem, ou que parte dela você está vivendo em excesso. Essa pergunta costuma levar à chave da leitura.

A ForçaO Sol

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Como ler combinações de cartas

Ler tarô vai além de somar significados soltos. As cartas conversam entre si, e aprender a escutar essa conversa é o que transforma uma lista de definições numa leitura.

Comece olhando o conjunto antes dos detalhes. Saíram muitos arcanos maiores? Então o assunto é sério. Algum naipe predomina? Se aparecem muitas Copas, a questão é emocional, mesmo que você tenha perguntado sobre trabalho. Se sobram Espadas, tem muito pensamento envolvido, talvez pensamento demais. Muitas cartas da corte costumam indicar várias pessoas no meio da história.

Depois repare em como as figuras se olham, para onde caminham e que cores se repetem. Se uma carta olha para outra, talvez as duas estejam ligadas. E pense em como cada carta muda o tom da vizinha. A Torre ao lado da Estrela conta uma crise seguida de esperança. Algo se quebra, mas o que vem depois cura. A mesma Torre ao lado do Dez de Espadas aponta para um fim mais duro, embora também definitivo.

Não se cobre se no começo você não enxergar as conexões. Elas aparecem com a prática, e cada leitura completa que você escreve no diário treina o seu olhar.

  • Conte quantos arcanos maiores e menores saíram.
  • Veja que naipe ou elemento domina e qual está faltando.
  • Procure números repetidos. Dois ou três Cincos apontam para uma fase de tensão.
  • Leia as cartas em ordem, como os quadrinhos de uma história.

Combinações de cartasA TorreA Estrela

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Exercício prático de 30 dias

Você aprende mais com constância do que lendo livros. Este plano de um mês foi pensado para você dedicar ao tarô entre dez e vinte minutos por dia. Se um dia não der, tudo bem. Você retoma no dia seguinte, sem culpa.

A única coisa indispensável é escrever, num caderno ou numa nota do celular. No fim do mês, releia tudo. Você vai se surpreender com o quanto avançou e com as cartas que se repetiram na sua vida.

  • Dias 1 a 7: tire uma carta do dia. Descreva a imagem, anote três palavras e, à noite, escreva como ela apareceu no seu dia.
  • Dias 8 e 9: separe os 22 arcanos maiores e coloque em ordem, de 0 a XXI. Olhe para eles como uma viagem que começa no Louco e termina no Mundo.
  • Dias 10 a 13: dedique um dia a cada naipe. Olhe as 14 cartas em ordem e escreva a história que elas contam do Ás ao Dez.
  • Dia 14: misture as 16 cartas da corte e associe cada uma a alguém que você conhece ou a um lado seu.
  • Dias 15 a 21: uma tiragem de três cartas por dia, com posições simples, como situação, obstáculo e conselho.
  • Dias 22 a 25: pratique combinações. Tire duas cartas e escreva uma frase que ligue as duas.
  • Dias 26 a 28: faça uma tiragem de três cartas para alguém de confiança e pergunte se a sua leitura ajudou.
  • Dia 29: sua primeira cruz celta, sem se cobrar para entender tudo.
  • Dia 30: releia seu diário e anote quais cartas aparecem mais e quais ainda resistem a você.

Carta do diaO Mundo

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Erros comuns de quem está começando

Todo mundo já caiu em algum deles, então não se preocupe se você se reconhecer em um. Só de saber que existem, já fica bem mais fácil evitar.

O mais frequente é o medo das cartas difíceis. A Morte quase nunca fala de morte física. Costuma anunciar um fim necessário e uma grande mudança. O Diabo trata de amarras e dependências das quais você pode se libertar. Nenhuma carta é boa ou ruim por si só. Tudo depende da pergunta, da posição e das cartas ao redor.

Outro erro é perguntar a mesma coisa várias vezes até sair a resposta que você quer. Desse jeito a leitura deixa de te ajudar a pensar e vira uma tentativa de acalmar a ansiedade que, no fim, só faz ela crescer. Se isso acontecer com você, deixe o baralho de lado por uns dias.

E o último: depender do tarô para cada decisão. As cartas ajudam a pensar, mas não são muleta. Se você percebe que não dá um passo sem consultar o baralho, volte ao básico: quem decide é você.

  • Ler com pressa, sem olhar a imagem.
  • Tomar o significado do livro como verdade absoluta.
  • Fazer tiragens enormes antes de dominar as pequenas.
  • Ler quando você está muito abalada. Melhor esperar até ficar mais calma.
  • Esquecer que o futuro mostrado pelas cartas pode mudar.

A MorteO DiaboTarô do amor

Agora, é praticar

Onde mais se aprende é tirando uma carta por dia e anotando o que ela diz para você. Comece hoje com a carta do dia e deixe à mão os significados das 78 cartas.

Perguntas frequentes

Quanto tempo leva para aprender tarô?

Com um mês de prática diária você já consegue ler tiragens simples com bastante desenvoltura. Conhecer bem as 78 cartas e como elas se combinam leva mais tempo, e na verdade o aprendizado nunca termina. Cada leitura te ensina algo novo.

Precisa ter dom para ler tarot?

Não. Ler tarô se aprende como qualquer outra coisa, com curiosidade, prática e atenção aos símbolos. A intuição ajuda, mas ela também se treina olhando as imagens e escrevendo o que elas te sugerem.

Posso jogar tarô para mim mesma?

Pode, e é o melhor jeito de começar. Só tente ser honesta com você mesma, porque quando o assunto mexe muito com você é fácil ler o que quer ver. Se você escrever a leitura e reler depois de alguns dias, vai olhar para ela com mais distância.

O tarô prevê o futuro?

O tarô mostra tendências e para onde as coisas podem ir, de acordo com o momento atual. Destino fixo, não. Use para pensar e decidir melhor. O que acontece depois depende, em boa parte, do que você fizer.

Qual é a melhor tiragem para iniciantes?

Comece com uma carta por dia e, quando se sentir à vontade, passe para a tiragem de três cartas, por exemplo passado, presente e futuro. A cruz celta é muito completa, mas é melhor deixar para quando você já estiver lendo histórias de três cartas com tranquilidade.